Celular será o maior meio de acesso à internet no Brasil

por Sylvio Peres*

Que celular não é “coisa de rico” todo mundo já sabe. Hoje, o Brasil possui cerca de 130 milhões de usuários ativos de telefonia celular, o que representa 70% de toda a população nacional, contra 39 milhões de usuários de telefonia fixa. O que muita gente ainda não sabe é que a terceira geração de telefonia celular - isto é, a possibilidade de transmissão de dados em alta velocidade, como vídeos e acesso à internet pelo celular – também será acessível a todos os bolsos e, mais do que isso, as fatias da população menos favorecidas economicamente também deverão ser grandes usuárias dessa nova tecnologia no Brasil.

Diante dessas expectativas, especialistas do setor de telecomunicações afirmam que o celular será o maior meio de acesso à internet no Brasil. Uma série de particularidades da cultura brasileira, aliada a fatores econômicos, fará com que grande parte da população, mesmo aquela com menor poder aquisitivo, acesse a internet sem fio, quer pelo celular ou pelo computador. Muitos especialistas acreditam que, com a massificação do uso da tecnologia 3G, até aparelhos mais sofisticados, como o iPhone, terão preços acessíveis para a grande maioria dos brasileiros.

Dentre os fatores culturais e econômicos que contribuirão para essa “revolução” do setor de telecomunicações no Brasil estão: a chegada de uma nova tecnologia e sua receptividade pelo brasileiro, um povo caracteristicamente “novidadeiro” e a concorrência acirrada entre as operadoras de telefonia celular, trazendo condições facilitadas de pagamentos dos aparelhos a preços reduzidos, tudo isso suportado pelo crescimento da economia, conferindo maior poder de compra também às classes menos favorecidas.

Também é opinião dos especialistas que as operadoras oferecerão pacotes pré-pagos de transmissão de dados em alta velocidade pelo celular, massificando o acesso a esse serviço. Da mesma forma, acredita-se que o preço dos aparelhos de última geração para acesso à tecnologia 3G, como o iPhone, cairão rapidamente pela grande demanda e deverão, até mesmo, ser subsidiados pelas operadoras, em razão de suas expectativas de ganho com os serviços de transmissão de dados, vindo a custar bem menos que um computador e oferecendo a tão almejada mobilidade aos usuários. 

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Para se ter uma idéia da aceitação do iPhone, dados recentemente divulgados dão conta de que o volume de aparelhos vendido em três dias, durante seu lançamento mundial nos EUA – 1 milhão de aparelhos – só foi alcançando em 74 dias quando do lançamento da versão anterior, de segunda geração. No Brasil, divulgou-se recentemente que 100.000 pessoas já se cadastraram na lista de espera pelo aparelho no site da operadora Claro.

Importantes peças dessa revolução digital também são as empresas fabricantes de equipamentos e soluções para redes de telefonia sem fio, que deverão experimentar um “boom” semelhante àquele registrado quando a Anatel obrigou as operadoras de telefonia fixa a atenderem todos os municípios brasileiros. Isso porque as novas licenças para a telefonia celular de terceira geração prevêem que as operadoras ofereçam cobertura de sinal de telefonia sem fio em todos os municípios até 2010. Diante dessa exigência, as operadoras estão correndo atrás de infra-estrutura de rede e, com isso, as fabricantes estão experimentando grandes crescimentos em suas receitas.

E, quando todos querem ter acesso aos serviços que exigem maior velocidade na transmissão de dados, como vídeos, jogos e acesso rápido à internet, as expectativas do setor não param, nem de longe, por aí. E somente participarão dessa mudança aquelas empresas que, como a tecnologia 3G, respondam ao mercado em altíssima velocidade.

*Sylvio Peres é vice-presidente de vendas para a América Latina da Andrew

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