por Joe Willcox*
Nos últimos anos, as operadoras de telefonia celular da América Latina tiveram oportunidade de atuar em mercados que ansiavam por seus serviços. Segundo o World Cellular Information Service - um produto do Informa Telecoms & Media -, a penetração da telefonia móvel nas Américas, excetuando Estados Unidos e Canadá, atingiu 69,35% em março de 2008. O crescimento foi marcante: no ano anterior, a taxa de penetração foi de 56,86% e, em 2006, de apenas 45,81%. Entretanto, para a maioria das operadoras, grande parte desse crescimento resultou da atuação em áreas urbanas, nas quais se encontram os mais altos níveis de demanda.
Atualmente, há diversos bons motivos para que as empresas de telefonia móvel voltem sua atenção para clientes potenciais em áreas rurais até aqui difíceis de atingir. A imposição de portabilidade numérica entre vários mercados da região é uma delas: as operadoras podem esperar que grande número de seus clientes opte pelos serviços de suas concorrentes. A se reproduzir aqui o que aconteceu com as prestadoras de serviços de telefonia móvel em outras regiões do mundo, é bem possível que as operadoras vejam-se envolvidas em uma batalha onerosa para identificar e conservar os clientes mais lucrativos. A batalha promete ser ainda mais acirrada nos mercados metropolitanos maduros, onde consumidores experientes têm condições de procurar a oferta mais vantajosa.
No entanto, trabalhar com mais afinco para atuar em áreas e segmentos de população carentes de serviços talvez não seja apenas uma questão de opção das operadoras. No Brasil, que é o mercado mais competitivo em telefonia sem fio, a agência regulatória leilou em dezembro o espectro 3G na banda de 1900MHz. Com exceção da NII Holdings - empresa de iDEN (Integrated Digital Enhanced Network) -, todas as operadoras do país obtiveram espectro a preços que os analistas consideram razoáveis. Em troca, devem programar vastas redes, para tentar solucionar o problema da disparidade de cobertura de telecomunicações entre áreas urbanas e rurais.
Embora durante algum tempo boa parte do valor do setor global de telecomunicações nessa região estivesse em redes e serviços de telefonia móvel, as operadoras não devem pressupor uma vitória tácita na corrida para levar conectividade às áreas rurais da América Latina. Em abril de 2008, tive a oportunidade de visitar companhias telefônicas estatais e cooperativas no Paraguai, na Bolívia e na Venezuela, e surpreendi-me com a maneira como essas empresas se voltam para as necessidades das pessoas que vivem fora dos grandes centros populacionais. São operadoras de telefonia fixa tradicionalmente menos expostas em conferências e exposições do setor de telecomunicações.

