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Listas, padrões e inovações

Somente um ambiente propício à troca de idéias e de conhecimento pode gerar criatividade.

Já imaginou se o seu empregador o incentivasse a usar 20% do seu tempo de trabalho para dedicar-se a projetos independentes? Sim, isso existe, e atende pelo nome de Google, e não por um acaso ele freqüenta o topo das listas de melhores empresas para se trabalhar nos EUA. Somado à gama de serviços, que inclui salão de beleza, restaurantes com chefs reconhecidos, lavanderia e lava-jato, sobra pouco espaço para negar que os mimos da companhia de Mountain View, na Califórnia, fazem uma diferença e tanto no conceito que os próprios funcionários têm dela.

De um modo geral, as companhias que nasceram na Nova Economia trouxeram também um alento para o mundo da administração, ao quebrar o padrão convencional de gerenciar pessoas. Elas reconhecem que dependem diretamente de algo subjetivo, impossível de desenvolver em laboratório, e que não está à venda no mercado: o talento criativo. Somente um ambiente propício à troca de idéias e de conhecimento pode gerar criatividade, matéria-prima básica para a inovação. Assim, quanto mais informal o ambiente, mais certeza de que o funcionário vai se sentir em casa e dedicar-se com afinco aos objetivos da empresa.

Há indícios de que as companhias que tratam melhor seus colaboradores são também mais inovadoras, comenta José Tolovi Jr., presidente do Great Place to Work Institute Brasil(GPTW). “As empresas que estão nas listas das melhores têm mais patentes registradas”, relata.

Se inovação é a palavra do momento no mercado, o que dirá para os setores de TI e Telecom, motores da economia global. Vão demandar talentos para lidar com seus respectivos contextos. O sócio da consultoria Korn Ferry, Jairo Okret, observa que entre as empresas de tecnologia, o momento é de crescimento, investimento e aumento de competitividade, com o acesso ao mercado externo. Já em telecom, o momento é de intensidade competitiva, pós consolidação do mercado.

Despertar um time para lidar com esses ambientes fará as empresas se preocuparem cada vez mais com boas práticas.

Outro incentivo nesse sentido veio de um ranking setorial. A mesma GPTW criou uma lista das 30 Melhores Empresas para se Trabalhar em TI e Telecom, divulgada em novembro do ano passado. A alta concentração de capital intelectual e a forte competitividade desses setores motivaram a criação de um estudo exclusivo para eles. Chama a atenção o fato de este primeiro ranking ter apenas seis empresas de telecomunicações e o restante, de tecnologia. No topo da lista está a Chemtech, fundada por engenheiros cariocas, e depois incorporada ao grupo Siemens.

As empresas de telecom mais bem colocadas na lista são a CTBC Telecom, do Triângulo Mineiro, que ocupa o sétimo lugar, e a toda poderosa Telefônica, oitava da lista. A Amazônia Celular (17º) e a Telemig Celular (30º) também dão o ar da graça, bem como a empresa de call center ACS (21º), que pertence ao grupo Algar, mesmo controlador da CTBC.

Os rankings premiam dimensões abstratas, como Respeito (diferencial da campeã Chemtech), Credibilidade (Microsoft, em terceiro na lista) ou Orgulho (IBM, em quarto).  Esta última, inclusive, recebeu um título de Melhor Empresa para Mulheres, uma conquista para um trabalho de quase uma década incentivando o crescimento de suas executivas internamente.

Difícil tecer conclusões a respeito da presença maior de um  segmento em detrimento do outro, mas a participação no ranking já estimulou algumas operadoras de telecom a se imputarem o desafio de galgar mais posições nas próximas edições do estudo.

A presença de duas empresas do grupo Algar não surpreende. A companhia, que conta com uma universidade própria desde 1998, sempre teve uma postura diferenciada em relação aos funcionários, que por lá, são chamados de associados. A área dedicada a cuidar das políticas de gestão não é nem chamada de Recursos Humanos, mas de Talentos Humanos.

A modernização do discurso e da gestão em si é uma questão de inteligência financeira. Funcionários mais motivados resultam em clientes mais bem atendidos. A correlação entre essas duas pontas foi captada numa pesquisa realizada para o setor de varejo pela TNSInterScience. O estudo comparou duas redes. Naquela em que os funcionários admitiam que não estavam satisfeitos havia 27% dos consumidores insatisfeitos. A outra, na qual o índice de insatisfeitos era baixo, contou com 13% de clientes descontentes.

Com a adrenalina dos negócios atuais, o que inclui a convergência de serviços, por exemplo, ofertada pelas operadoras, haverá uma movimentação na área de telecom pelos próximos cinco anos, prevê o professor da FGV, Arthur Barrionuevo Filho.

O cenário estimula as empresas a desenharem suas estratégias de vendas e de marketing em sintonia com seu público. Mas terão também de se debruçar na criação de planos de retenção e atração de talentos que as ajudem a desbravar seus mercados. Talvez as boas práticas do Google Inc. ainda pareçam utopia para a maioria. Mas a capacidade de surpreender da pontocom mais bem-sucedida do planeta, e sua constante valorização na bolsa, dão o que pensar.

Carla Jimenez é jornalista, subeditora do Canal Rh



 
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