Presença de fornecedores do WiMAX em Barcelona não garante espaço na evolução da telefonia móvel
Pela primeira vez, equipamentos e fornecedores do sistema WiMAX marcaram presença em Barcelona durante a realização do Mobile World Congress, patrocinado pela GSMA (GSMA Association). Isso não valeu à tecnologia, entretanto, um espaço garantido na evolução tecnológica da telefonia móvel e ainda resultou em algumas advertências. "Este ano será decisivo para o WiMAX, que sofreu um retrocesso em 2007", diz Andrew Parkin-White, analista principal da Analysis, consultoria especializada no mercado de telecom e TI. Sobre esse padrão há, agora, uma ameaça mais consistente: a evolução mais rápida da LTE (Long Term Evolution).
Contribuiu para isso o anúncio feito ontem pela China Mobile que se uniu a duas outras grandes operadoras, a Verizon e a Vodafone, para testar a nova tecnologia. No Japão, a Ericsson anunciou contrato com a NTT DoCoMo e esta semana, durante o evento, a Alcatel-Lucent, uma das que vem incentivando o WiMAX, anunciou a criação de uma joint venture com a NEC para desenvolvimento conjunto do LTE.
Segundo Parkin-White, a tecnologia WiMAX sofreu um revés no ano passado com a decisão da Sprint Nextel e da Clearwire de interromperem as conversas sobre uma possÃvel rede conjunta nos EUA. "Várias redes foram lançadas em mercados desenvolvidos no ano passado, mas a escala foi baixa. Os operadores terão de rever seu modelo de negócios se o custo da CPE continuar tão alto", disse o consultor. Mas para o LTE também há desafios, afirma, como alcançar performances e preços adequados em tempo de atender as necesidades do mercado.
Durante o congresso, o WiMAX Forum anunciou seu apoio ao desenvolvimento de produtos para a faixa de 700 MHz, buscando expansão de espectro e de oportunidades de mercado. Pelo balanço da entidade, há 28 produtos nas faixas de 2,3 GHz e 2,5 GHz que foram licenciados até agora com o padrão WiMAX.
Se o cenário parece duvidoso para o WiMAX, há ainda quem defenda que os desenvolvimentos do produto sejam integrados com o do LTE. Arun Sarin, CEO da Vodafone, que, sozinha, responde por 240 milhões de assinantes, disse no dia da abertura do evento que as brigas de padrões prejudicam, como aconteceu entre os padrões TDMA, CDMA e GSM. Para ele, há maiores ameaças para a indústria, como a chegada do Google e da Apple, que deveriam concentrar a atenção dos operadores.
*A jornalista viajou a convite da Nokia