A Embratel é o principal ponto da reação ao movimento das operadoras que querem mais prazo para o serviço
O conselho diretor da Anatel vai ter um problema nas mãos ao analisar a manutenção, ou não, da data que deve entrar em vigor a portabilidade numérica, prevista para 1º de setembro. A agência havia sido alertada pela Acel, que representa as celulares, e pela Abrafix, que fala pelas concessionárias do STFC, das dificuldades encontradas para manter o prazo inicial, o que motivou uma reunião do presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, com as operadoras há duas semanas. Agora, as operadoras pediram, oficialmente, o adiamento. Mas não houve consenso e a Embratel foi contrária e pede para que não seja alterado o cronograma. A seu lado a Claro, do mesmo grupo, e a GVT.
Ao se reunir com as operadoras, Sardenberg foi advertido de uma série de problemas que já haviam sido relatados no GIP, grupo de apoio à implantação da portabilidade, mas que não chegaram a seu conhecimento. E ele não gostou do que ficou sabendo tanto que envolveu as superintendências de serviços públicos e serviços privados no acompanhamento do caso.
A questão ficou mais tensa com os pedidos feitos por oito operadoras que chegam a sugerir que a implantação da portabilidade seja transferida para o início do próximo ano. Mas a Embratel entrou em cena e divulgou no final da tarde hoje um comunicado onde diz que "está comprometida com a portabilidade e entende que é um importante instrumento para o desenvolvimento da competição no setor de telecomunicações do Brasil".
A empresa divulgou também hoje o seu plano estratégico para avançar com o Livre, serviço de voz baseado na rede CDMA que, a partir de setembro, também contará com acesso banda larga. Trata-se de um plano agressivo, a preços populares, que no próximo mês estará sendo oferecido em 14 estados e em São Paulo e Rio de Janeiro a partir de dezembro.
A portabilidade interessa, sem dúvida, à competição. No caso da TIM, por exemplo, é considerado um importante instrumento para que a empresa avance no seu serviço de telefonia fixa, como declarou o presidente da operadora, Mario Cesar Araujo. Mas ele mesmo admitiu que há problemas que precisam ser resolvidos e é preciso ter garantias de qualidade para colocar o serviço no ar. A TIM é uma das empresas que enviou pedido de adiamento.
A Claro ficou ao lado da Embratel nessa questão e não endossou o pedido de adiamento. Para a empresa, deve haver um esforço de todos os envolvidos para que seja mantida essa regra da competição. No mercado de telefonia móvel de São Paulo, a portabilidade poderá ser um instrumento para as novas entrantes, como a Oi, previsto para outubro, e a aeiou.
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