Jonio Foigel, presidente da Alcatel-Lucent, fala das novas disputas tecnológicas no paÃs.
O otimismo é
um grande caracterÃstica do executivo Jonio Foigel, presidente da Alcatel-Lucent no Brasil. Mas seu conhecimento de mercado lhe dá a exata noção das brigas que ainda terá pela frente para garantir à empresa uma boa presença nas próximas disputas tecnológicas no paÃs. A começar pela terceira geração, a batalha mais próxima. Prejudicado pelo timing, que não lhe deu vantagens competitivas nas licitações de 3G na faixa de 850 MHz, tem certeza que conseguirá reverter o quadro nas próximas concorrências que envolverão a faixa de 2,1 GHz para a qual já tem um produto pronto e em condições de enfrentar aqueles que conseguiram fatias de mercado nessa primeira fase. Mas também tem boas projeções para outra tecnologia, a plataforma WiMAX, que já lhe garantiu contratos com duas grandes operadoras. Para ele, esse produto tem grandes chances de crescimento uma vez que é complementar para projetos de extensão de cobertura tanto das redes fixas quanto das móveis. E ainda poderá ter um papel importante quando se fala de inclusão digital. Foigel também está de olho no desenrolar da IPTV no paÃs, um processo que, na sua avaliação, responderá por grandes contratos para a indústria a fim de atender a necessidade de as operadoras ampliarem suas infra-estruturas e redes de acesso.
Mundialmente, a Alcatel-Lucent teve um segundo trimestre complicado, com prejuÃzo de 336 milhões de euros, um resultado bastante afetado pelos custos da fusão mas, principalmente, pelo ataque de concorrentes à base de clientes da empresa para aproveitar o momento de integração de duas culturas. Foigel não se surpreende nem um pouco com isso. Ele vive no Brasil, há pelo menos quatro anos, uma verdadeira guerra de preços já que praticamente todos os concorrentes estão presentes aqui e querendo garantir posições. Mas ele acredita que os resultados globais serão bem melhores no segundo semestre. Quanto ao Brasil, apesar de não pode revelar valores, não tem a menor dúvida que será um ano de crescimento. Ele considera que há dois grandes desafios que precisam ser contornados para garantir um melhor cenário para a indústria, a estabilização dos operadores e a liberação de novos serviços por parte do órgão regulador. Solucionado isso, ainda melhores resultados virão.
Por Wanise Ferreira
Telecom Online – O resultado mundial da Alcatel-Lucent no segundo trimestre mostrou um crescimento de receita, mas uma diminuição do lucro. Mas, principalmente, revelou que houve um ataque muito grande de concorrentes à base de clientes da empresa por conta do processo de fusão. Isso aconteceu no Brasil?
Jonio Foigel – No Brasil isso já está acontecendo há algum tempo, mesmo antes da fusão. Em termos de competição, o Brasil é um campo de batalha muito forte porque você já tem todo mundo brigando aqui há bastante tempo. Os chineses, por exemplo, chegaram aqui mais cedo do que em outros continentes. Já temos isso há quase três anos, quatro na verdade. A cada lançamento de uma nova tecnologia ou novo serviço a guerra se acelera, torna-se mais intensa. Temos uma boa experiência nisso, não que a gente não se choque ou não leve sustos de vez em quando, mas vivemos mais essa situação. O que está acontecendo, agora, é que essa posição está um pouco mais generalizada, o que também era previsÃvel. Você tem quatro grupos que se fundiram, a Alcatel com a Lucent e a Nokia com a Siemens, tem também a Ericsson que passou por um processo de aquisição importante. Tudo isso levaria, naturalmente, a um acirramento de posições no mercado. Isso era previsÃvel também mundialmente. No Brasil, a previsão era que isso aconteceria na terceira geração, mas isso foi um pouco antecipado pelo GSM da Vivo, que veio um pouco tardiamente, mas já sinalizou que essa guerra se daria de maneira forte.
Telecom Online – Na questão da 3G já temos alguns resultados de licitações no Brasil, na faixa de 850 MHz. Você acredita em novas licitações após o leilão da terceira geração, ou os atuais vencedores se consolidam nesse mercado?
Foigel – O que nós estamos vendo hoje é uma acomodação das operadoras em torno do 850 MHz. O que não deixa de ser uma freqüência especÃfica, importante, mas especÃfica. Eu acho que com a licença de 2,1 GHz vamos ter nova rodada de disputas, inclusive porque o posicionamento tecnológico também passa a variar um pouco.
Telecom Online – E quais as chances da Alcatel-Lucent?
Foigel – Nós estamos apostando nisso. Nós temos uma posição muito mais forte em 2,1 GHz do que temos, por exemplo, em 850 MHz. A tecnologia na faixa de 850 MHz é um mercado que temos nos Estados Unidos. Mas estávamos desenvolvendo em uma direção e o mercado optou por uma solução tecnológica que não estava pronta, o momento não foi bom para nós nessa primeira rodada na região. Mas, com certeza, em 2,1 GHz teremos uma posição muito boa.
Telecom Online – E você acredita que essa licitação sai ainda este ano?
Foigel – Eu não sei se o resultado sai este ano. Mas acredito que, com certeza, as brigas vão começar este ano. Até porque quando as pessoas acreditarem mais no leilão os processos de compra serão lançados. Alguns dos contratos poderão, sim, ser fechados este ano. Outros, talvez, fiquem para o ano que vem.
Telecom Online – E no leilão de sobras do SMP (Serviço Móvel Pessoal) você enxerga alguma oportunidade?
Foigel – No leilão de sobras a gente sabe que a Vivo está interessada em algumas freqüências, aliás há muito tempo, não tem nada de novo. Ela tem a cobertura do Nordeste para fazer, mas eu acredito que nesse leilão haverá poucas brigas de fornecedores. Eu acho que o ano de 3G, sim, é mais complicado. Da forma que a Anatel está montando o leilão, o comprometimento com regiões de alto ARPU (receita média por usuário) com baixo ARPU, complica principalmente porque o desenho estava se orientando para redes nacionais ou, no mÃnimo, redes casadas com as licenças das telefonias fixas. Então quando você olha para empresas, como a Oi, não é fácil o posicionamento estratégico. Para ela cobrir a região dela em 3G terá de comprar São Paulo. Ela, naturalmente, tem de repensar sua estratégia. Então, você está obrigando certas empresas a refletirem seus posicionamentos nacionais. Para quem está visando a licença nacional, não modifica nada. Para Vivo, TIM e Claro, como elas têm um posicionamento de cobertura nacional, a questão é outra, é de analisar espectro, ver o que tem em 850 MHz, se deve comprar a sobra de 1,9 GHz e fazer uma realocação, a preocupação é outra.
Telecom Online – Você tem dito que não acredita que 3G seja um grande mercado. A sua opinião continua a mesma ou mudou em relação a isso?
Foigel - Eu continuo achando que 3G é um serviço de valor agregado, é um serviço para um cliente da ARPU alto. A tendência é que com o tempo os telefones fiquem mais baratos, mas hoje é um serviço de classe A e B. Eu calculo que seja um mercado para aproximadamente 10% da população usuária de telefone celular. O restante é usuário de voz e, para isso, a cobertura GSM e CDMA é suficiente. Não vejo razão para uma operadora migrar o cliente dela que está satisfeito com essas redes para uma rede 3G. Então, a terceira geração é para o cliente que exige, que quer dados, que quer um acesso Internet fácil, mais serviço de valor agregado. A maior parte das aplicações que existem hoje não exigem mais do que o EDGE. Acho que a 3G tem o espaço dela, é importante dentro desse mercado. Com o barateamento do terminal ele poderá, gradativamente, assumir uma parte das aplicações tradicionais de voz. Mas isso necessita uma aceleração dessa queda de preços. Hoje já estamos falando de terminais GSM em cerca de US$ 20. O 3G, por sua vez, está por volta de US$ 100. Esse é um diferencial a ser trabalhado. Para um usuário pré-pago, então, não faz nenhum sentido se ele vai usar só voz. O edital, como ele está proposto, exige que seja a feita migração para 3G em um certo prazo. E o que adianta isso para certas cidades que você mal vai conseguir vender pré-pago? A gente volta para o mesmo questionamento da universalização da linha fixa. Você leva o serviço mas não tem usuário. Acho que existem algumas coisas que precisam ser retrabalhadas, por exemplo, a idéia de colocar banda larga em todas as cidades. Se a universalização veio com esse intuito ela pode ser solucionada de forma mais inteligente com outras soluções, seja WiMAX, seja a própria rede ADSL, se você já tiver a rede fixa. PoderÃamos pensar em outras formas, inclusive satélite, em alguns casos. Tudo é uma questão de viabilidade.
Telecom Online – Essa é a proposta do Gesac (Governo Eletrônico—Serviço de Apoio ao Cidadão), que faz um mix de tecnologias...
Foigel – Ainda não vi as propostas do Gesac, que estão em fase de entrega. Eu espero que as operadoras tenham feito essa soma. Agora, nem todo mundo tem disponibilidade de VSAT, para alguns é mais fácil, para outros há mais dificuldade. A Embratel hoje tem mais facilidade com a StarOne. Mesmo a Telemar, com a Hispamar, eu tenho a impressão de que ela está no gargalo, porque há um crescimento de tráfego muito grande nesse mercado. Hoje está faltando transponder.
Telecom Online – E com essa demanda que volta a ser reprimida, o preço dos transponders também se eleva...
Foigel – Acho que com o lançamento da própria Star One, dois satélites no próximo semestre ou começo do outro ano, você volta a ter satélites disponÃveis. Mas, novamente, é bom lembrar que satélite é uma solução pontual. Quando você já tem cabo ou rádio chegando, a situação é diferente. A 3G eu vejo em grandes cidades, praticamente um recobrimento da rede GSM para prestar um serviço de outra qualidade, não vejo extensões do 3G.
Telecom Online.– Como está a relação, atualmente, do custo do WiMAX e da terceira geração?
Foigel – Ainda é cedo para falar. O WiMAX está começando e o terminal está na faixa de US$ 200. Eu acho que só vamos poder comparar isso em um ano, um pouco mais. Eu vejo que ele terá um preço similar à terceira geração com o tempo. O que eu acho é que o WiMAX flexibiliza mais a extensão da fixa, para você fazer cobertura de extensão de redes pré-existentes é muito mais fácil. O 3G, realmente, é um overlay, é uma camada nova que você coloca e pensa a cobertura como ela é hoje. É preciso olhar a 3G como se olha, atualmente, o GSM, o CDMA. A empresa vai onde tem clientes porque precisa do retorno sobre o investimento. O WiMAX é muito mais um elemento complementar para cobrir ou uma deficiência da planta fixa, ou da móvel, ou uma extensão para uma certa região. E ele é muito mais focado na banda larga do que na voz.
Telecom Online  – Como está a posição da Alcatel-Lucent em relação ao WiMAX?
Foigel – Estamos bem posicionados, é um momento feliz para a empresa. Temos a versão E disponÃvel, que está hoje na Brasil Telecom e temos outro cliente importante que está em fase de implantação. No segundo semestre acredito que teremos uma boa estabilização da tecnologia, com mais terminais sendo lançados, já testados, as redes interconectadas, várias funções implementadas.
Telecom Online – Você ainda acredita no leilão de WiMAX este ano?
Foigel  – Eu acho que a Anatel tinha de liberar o conjunto de coisas bloqueadas no pacote que ela tem nas mãos. Estão lá a 3G, as sobras do SMP (Serviço Móvel Pessoal), o WiMAX e o IPTV, que são quatro elementos fundamentais para que os operadores possam deslanchar uma série de novos serviços. Isso seria fundamental para os operadores, para os fornecedores... Aos poucos, estamos caminhando, saiu o edital de sobras, mas está atrelado à 3G, um processo que pode haver contestações, recursos..O ideal era que fosse lançado tudo junto, com isso seria dada uma satisfação aos diferentes players. Não vejo porque não sair tudo de uma vez. O WiMAX dá a sensação de novos players no mercado mas quando você vai para o mercado que tem ARPU (receita média por usuário) baixo, serão poucos. Então, acho que o WiMAX tem de ser oferecido para esses que estão no mercado, não pode ter limitações, pode ser deixada uma banda para novos usuários, mas para empresas que têm condições de brigar no mercado. Não sei se faz muito sentido para o usuário favorecer alguém que vai montar uma estrutura para em um anos ou dois ser vendido para um dos operadores grandes. Agora, uma coisa boa do WiMAX é que ele facilitará a competição, com a invasão de áreas. Os grandes, automaticamente, poderão invadir outras áreas.
Telecom Online – Mas eles não invadiram até agora...
Foigel – Porque você tinha uma planta de cobre que bloqueava. É só ver o que aconteceu o mobile, que teve ambiente de competição. E o WiMAX é o elemento de competição do mercado de origem fixa.
Telecom Online – Essa pode ser uma questão importante quando se fala de uma empresa nacional com cobertura ampla.Você acredita na formação dessa empresa?
Foigel – Eu acho que tem uma idéia boa por trás disso porque você estabiliza dois grandes operadores que, por razões diversas e variáveis, estão precisando disso. Então vem a idéia de criar uma empresa só. Como já há acionistas nas duas que, direta ou indiretamente, são ligados ao governo, me parece uma solução óbvia. Isso até vendo pela ótica do mercado. Se você tivesse hoje um outro operador, que não fossem os dois estabelecidos, e que quisesse fazer oferta pela Brasil Telecom ou Telemar, ele faria. Essa é uma solução para estabilizar o mercado, que é a de criar três estruturas fortes para o mercado brasileiro. Mas temos outras discussões nisso, como as golden shares, que você está indo contra o conceito básico da privatização. Também é preciso dar uma estabilidade para quem está investindo, dar à Telefônica e à Telmex condições de desenvolver seus planos. Hoje tem dois grupos fortes, de um lado a Telefônica que assim que resolver a questão da telefonia móvel estará muito bem estabelecida, e tem o grupo mexicano, a Telmex, que ainda têm coisas a fazer, tem um passo um pouco mais complexo, mas dia menos dia chegará a esse processo, é inevitável. Parece uma possÃvel solução natural estabilizar o terceiro.
Telecom Online – Em relação à IPTV várias análises já mostraram que ela não funciona no modelo de negócios baseado apenas em video on demand..
Foigel – Isso sempre foi inviável. A empresa que pensar em lançar IPTV visando esse modelo, morre. A IPTV hoje tem a função de substituir parte da receita que está caindo com a voz, ela é parte do processo da solução tripla, que se oferece a voz sobre IP e com isso passa-se a trabalhar com valor menor de voz e você passa a ter uma remuneração de vÃdeo que compensa essa parte. É basicamente o que está acontecendo no mundo todo. Agora, o modelo de oferta única do serviço de video on demand não existe, dizem que talvez encontre espaço na China, onde não há acesso à informação, a televisão é totalmente censurada. Mas é uma situação muito especial. Não tem nenhuma lógica em relação a um paÃs aberto. Inclusive o que estamos vendo hoje sobre video on demand é uma coisa mais simples, você acessa a Internet, faz um carregamento, paga o valor na própria rede, nem vai precisar da IPTV. A funcionalidade vai ser tão grande que não vai dar dinheiro para os operadores. Agora, a IPTV é broadcast, é acesso a esportes, é a possibilidade de acompanhar à distância, por exemplo, congressos internacionais e outros eventos. Envolve uma série de programas especÃficos.
Telecom Online – Inclusive se fala muito que isso poderá viabilizar programas regionais que hoje não são possÃveis via satélite e ficam muito caros no cabo...
Foigel – Tem também essa questão de nicho, com a IPTV você consegue montar coisas que não são muito caras e você pode satisfazer a grupos pequenos. Você pode caracterizar uma situação local, que tem interesse, todo mundo quer saber o que está acontecendo na sua cidade, o tempo, o trânsito, acontecimentos culturais, esportes...
Telecom Online – E como esse mercado reflete para a Alcatel-Lucent?
Foigel – IPTV vai trazer uma demanda forte de infra-estrutura de acesso, necessidade de redes metropolitanas..
Telecom Online – Dá para calcular o tamanho desse mercado?
Foigel -- No Brasil ainda não dá para ter esse cálculo. Mas será forte. Basta olhar osinvestimentos feitos nos Estados Unidos que é um paÃs que sempre é pioneiro em infra-estrutura, eles já estão correndo para colocar uma fibra em cada casa.
Telecom Online – E os backbones no Brasil já estão com capacidade próxima do esgotamento...
Foigel – Estão sim, mas já há várias iniciativas. A Telefônica começou um piloto nos Jardins, em São Paulo, para levar a fibra até o assinante. Ela está fazendo um trial nessa região,que não é conosco, mas ela vai fazer uma licitação com aqueles que estão qualificados e nós somos um deles. É uma rede metropolitana, com Gpon, que vai permitir velocidade de até 30 Mbps ou mais.
Telecom Online  – Como está sendo o ano para a área de transmissão?
Foigel – Está sendo um ano muito bom com uma demanda muito alta no semestre. Também está sendo muito bom em acesso, em rádio, seja para telefonia móvel, seja para complementos de redes para as fixas, muito bom também em redes IP, em serviços.
Telecom Online – A Alcatel-Lucent realizou um piloto de inclusão digital com o governo do Rio de Janeiro em Visconde de Mauá. Você pretende avançar nessa área?
Foigel – Sem dúvida. Esse primeiro projeto foi um projeto interessante, pequeno, rápido. Agora, temos vários municÃpios em discussão em alguns estados. O que estamos sentindo é uma movimentação muito grande.
Telecom Online – E qual é o seu maior ganho? Você vai comercializar esses serviços nas cidades atendidas?
Foigel – Eu não quero comercializar esse serviços nas cidades porque não sou operador. Eu tenho de passar pela estrutura administrativa da cidade, e a partir daà colocar essas facilidades à disposição da cidade, seja visando turismo, seja pequenas e médias empresas. Isso ficaria a cargo da municipalidade, a operação seria nessa estrutura. Além do municÃpio também é uma infra-estrutura que pode ser oferecida à s operadoras. Acho que aà se abrem várias oportunidades. Acho que a princÃpio serão as operadoras as maiores interessadas, porque muitas vezes é a questão econômica, muitas é o fato de não haver disponibilidade de rede. Você já enxerga hoje algumas iniciativas de operadores que estão estendendo a cobertura banda larga, como a Telemar, que está ampliando investimentos nisso muitas vezes para atender as necessidades dos municÃpios. E tecnologicamente o WiMAX se encaixa perfeitamente nessa complementaridade de cobertura. Porisso separei a questão da 3G e do WiMAX porque muita gente tentou misturar, dizendo que a terceira geração era a solução de tudo.
Telecom Online -- Qual o resultado esperado para a Alcatel-Lucent este ano?
Foigel -- Eu acredito em crescimento este ano no Brasil. Mundialmente eu não tenho dúvidas de que o segundo semestre será melhor que o primeiro. A fusão não é um processo de seis meses, ela demora de um ano a dois até se estabilizar completamente, você já terá uma cultura única. Mas eu vejo um crescimento muito grande e um posicionamento tecnológico importante. E acredito que essa fase dos preços malucos, como tudo, terá que chegar ao fim. Nós vimos também os resultados do trimestre da Nokia-Siemens, não são só as fusões que estão afetando, é a realidade de mercado também. Os resultados da Huawei não conhecemos, porque eles não publicam balanços, não dá para julgar. Mas, no momento, todos sofrem. Mas acredito que o segundo semestre será melhor, sem dúvida. Os patamares de preços a que chegamos não mudam mais, agora é trabalhar para torná-los rentáveis para nós, cortar custos, fazer o possÃvel. A maior preocupação minha, em termos de Brasil, continua sendo a estabilização dos operadores e a liberação de novos serviços. Para mim esses são dois elementos desafiadores que precisam ser trabalhados.