A nova TIM, uma empresa de comunicação móvel.

Mario Cesar Araujo, presidente da operadora, quer continuar levando soluções inovadoras para o mercado a fim de atender ao cliente em todas as suas necessidades. Esse perfil vem sendo delineado desde o ano passado e já obteve resultados práticos. O executivo fala sobre os planos da empresa, concorrência e o futuro da terceira geração.

Mario Cesar-artigo.jpgProcurando ficar alheio às constantes atribulações que envolveram a troca do controle acionário da controladora, a Telecom Italia, o presidente da TIM, Mario Cesar Araujo, tratou de construir uma nova empresa, muito mais voltada para as comunicações móveis do que propriamente uma operadora celular. Ele conseguiu a licença do STFC (Sistema Telefônico Fixo Comutado), lançou o TIM Casa Flex, produto que permite o uso do celular, e suas ferramentas como linha fixa, colocou no mercado o TIM Web, um dispositivo que permite o acesso à Internet em qualquer computador, fez a oferta de planos tarifários pré-pagos mais atraentes, estabeleceu micro-recargas para seus clientes e realizou promoções para aumentar o uso de dados em sua rede. Sob forte tiroteio da concorrência, a TIM chegou a uma base de 29 milhões de assinantes em setembro, com 25,87% de market share. Até o início do terceiro trimestre, sua rentabilidade aumentava, o prejuízo diminuía, mas, ao implantar um novo sistema de contas a receber, identificou perdas no valor de R$ 173 milhões de parcelas não cobradas na venda de aparelhos, com impacto sobre seu resultado no período, o que não deve se repetir no último trimestre do ano.

Araujo está otimista quanto ao futuro, mesmo com a concorrência ameaçando cada vez mais a segunda colocação da empresa no ranking de celulares. “Eu só olho para a frente”, diz o executivo. Com a aprovação da Anatel para o pedido de anuência prévia para a entrada da Telefónica no capital da Telecom Italia,  ele acredita que a empresa possa a ser avaliada, agora, somente pelas suas operações comerciais e não mais pelas questões societárias que envolvem a controladora. "E vamos continuar brigando pelos clientes com a Vivo, de forma independente", ressalta.

A empresa conquistou o que precisava no leilão de sobras do SMP (Serviço Móvel Pessoal) e vai à luta no leilão de terceira geração. Conta, para isso, com parte dos investimentos de R$ 5,7 bilhões previstos para até 2009.  Os desafios para o próximo ano não são poucos, ele sabe disso. Mas pretende continuar apostando na inovação que marcou a empresa nos últimos meses e promete o lançamento de uma série de novos serviços. Acompanhe a entrevista dele. Por Wanise Ferreira.

 

Telecom OnlinePara a TIM foi um alívio a finalização do processo de mudança acionária, a fim de retomar os investimentos?

Mario Cesar de Araujo -- Evidentemente que foi interessante para a TIM porque agora ela tem condições de focar no próprio mercado brasileiro. Essa indefinição às vezes prejudicava um pouco o lado de vendas. Mas em termos de investimentos, não houve mudanças e o aporte nunca deixou de ser feito. Mas em relação ao foco, posicionamento dentro do mercado brasileiro, para uma empresa que estava na mídia por causa dessas mudanças acionárias, agora fica muito interessante porque volta para a mídia por seus valores comerciais e operações comerciais.

 

Telecom OnlineVocê fala da nova fase da TIM, o que é isso em termos de mercado, de tecnologia...

Araujo – A TIM tem se adaptado às necessidades do mercado, à nova tendência de posicionamento e necessidades do usuário. Agora, não somos apenas uma empresa de telefonia móvel, mas sim uma empresa de comunicação móvel. E temos de oferecer aos clientes todo tipo de informação, entretenimento e facilidades. Então começamos a construir essa nova empresa. Uma empresa que entrou no mercado fixo, usou o número fixo para fazer seus planos de serviços. O TIM Casa Flex, se não me engano, é inédito no mundo porque automaticamente desliga o fixo e liga o móvel, faz uma sinergia entre os dois também com a caixa postal, com o identificador de chamadas, e a agenda eletrônica. Então, começamos a entrar nesse modelo que se fala de convergência que é a de fornecer aos clientes todas as facilidades de comunicação que eles necessitam.

 

Telecom OnlineVocê tinha dito que poderia fazer essa convergência com parcerias com algumas empresas. Desistiu de parcerias?

Araujo – Não, de jeito nenhum. Essas parcerias são muito importantes e aqui estou falando de empresas de conteúdo.  

 

Telecom OnlineMas e na área de redes, por exemplo, parcerias com operadoras de TV a cabo ou outras plataformas?

Araujo – Olha, podemos até fazer parcerias de redes, mas o que eu estou interessado é em manter parcerias com cada um em sua expertise. Eu acredito que se fizer um acordo com uma empresa com expertise em uma determinada atividade e nós na nossa poderemos fazer com que dois em dois vire cinco. Por exemplo, eu não sei fazer TV, não sei fazer conteúdo de música, de notícias, então quero pegar as empresas que tem essa expertise e eu faço chegar tudo isso ao meu cliente.

 

Telecom OnlineMas há uma corrente no mercado que diz que usar a rede móvel para fazer essa convergência com a fixa sai muito caro. Talvez se fosse usada  uma rede de terceiros, já estruturada..

Araujo – Também podemos fazer algum tipo de parceria desse tipo, para a a área de redes. Por exemplo, usar o unbundling quando no Brasil tiver essa oferta.

 

Telecom Online – Você tentou o unbundling?

Araujo – Olha, o preço que me dão para unbundling é maior do que o serviço que eles prestam para o usuário. Não existe competição dessa forma. Se a gente precisar dessa facilidade, veremos o que vamos fazer.

 

Telecom OnlineMas você concorda que essa rede pode favorecer o preço do seu serviço?

Araujo – No momento, para esse serviço que nós oferecemos o uso de uma outra rede não era adequado. A gente reclama quando precisa daquilo para oferecer algum tipo de serviço.

 

Telecom OnlineE como está sendo a procura pelo TIM Casa  Flex.

Araujo – É grande, evidentemente que é uma mudança de perfil bastante grande e de formas de trabalhar que vai através da propaganda, do call center, de boca a boca, vai vendo que o produto é interessante. Acredito que terá ainda mais sucesso com a portabilidade.

 

Telecom OnlineVocê lançou um plano com a redução da tarifa do pré-pago. Como fica a questão da VU-M (tarifa de interconexão)?

Araujo – Ela não é afetada. Se você olhar o plano, a tarifa é válida para  três números que serão cadastrados. Nós sempre preservamos a VU-M, temos o maior cuidado para não usá-la para subsídios.  

 

Telecom OnlineMas ela continua sob ataque, como o  processo judicial da GVT contra os atuais valores, não?

Araujo – Estamos acompanhando o processo. Na verdade, acho que é um desserviço às telecomunicações brasileiras pois ataca a credibilidade da agência reguladora. Mas é um direito constitucional dela, não há dúvida.

 

Telecom OnlineA Brasil Telecom chegou a declarar que aguardaria o processo da GVT para ver o que fazer em relação à VUM. Na Telemar já houve algumas manifestações de mudança na VU-M. Vocês não assinaram um acordo válido por dois anos? Qual o recado disso para você?

Araujo – O recado é de que precisamos de regras do jogo mais certas, mais claras. Eu acho que a VU-M é importante para as operadoras móveis tanto quanto a assinatura básica foi importante para as fixas. Está dentro do contrato. O que não podemos é ter uma briga onde as operadoras deixem de ter uma saúde econômica financeira e, como conseqüência, tenhamos monopólios ou duopólios privados. Essa é uma situação muito pior que o monopólio estatal, pois os preços serão cobrados como a empresa quiser e o consumidor vai ter de pagar.

 

Telecom OnlineQual é a sua disposição de investimentos para a terceira geração?

Araujo – Ela está incluída no nosso plano de 2007 para 2009, que são R$ 5, 7 bilhões de investimentos. Isso engloba tanto a compra de licença quanto os recursos necessários para uma rede de terceira geração.

 

Telecom OnlineO fato de o leilão ter sido marcado levou você a desistir do projeto de 3G em 850 MHz?

Araujo – Vai ser muito melhor para as operadoras e para o cliente, em termos de escala, se todos trabalharem sempre em uma freqüência de nível internacional. Isso quer dizer que ganhos no uso da 2, 1 GHz. Ela traz uma vantagem onde todos ganham. Hoje, se você olhar o custo dos subsídios de aparelhos pode perceber que eles estão até superiores aos investimentos em redes. Diminuindo, mas ainda são altos. Agora, mesmo com o uso da 2,1 GHz ninguém vai deixar de contar com as freqüências que tem disponíveis, porque você pagou por elas e tem de fazer o melhor uso delas.

 

Telecom OnlineE o que ficaria destinado para a freqüência de 850 MHz?

Araujo – Eu acho que ela é mais adequada para dados. Ou com o EDGE ou mesmo a terceira geração de dados. Essa é uma freqüência que pode ter boa utilização para isso.

 

Telecom OnlineVocê ainda tem assinantes TDMA na sua base?

Araujo – Muito pouco.

 

Telecom OnlineQual o projeto que você tem para o WiMAX?

Araujo – Eu acho que essa tecnologia, atualmente, é um projeto específico para o segmento corporativo, por exemplo. Não estamos falando ainda de uma cobertura mais ampla como será a de terceira geração. Não digo que em cinco anos a situação não seja diferente, estou falando de agora no mercado brasileiro. O que eu defendo é que a licitação do WiMAX seja feita na categoria do SMP (Serviço Móvel Pessoal), já que está se discutindo a sua mobilidade. Amanhã uma empresa de WiMAX pode entrar em concorrência com as operadoras móveis. Nós temos pesados compromissos que eles também devem ter.

 

Telecom OnlineTrata-se de uma tecnologia que pode ser complementar para sua rede fixa?

Araujo – Sim, pode ser. Nós tentamos participar do leilão de WiMAX, que foi suspenso.

 

Telecom OnlineComo está a participação da TIM hoje nos vários segmentos do mercado?

Araujo – O que a TIM tem procurado sempre é ter produtos para todo os mercados. No mercado corporativo atingimos a liderança. Fizemos, recentemente, uma parceria com a Microsoft muito importante, com soluções para pequena e média empresa. Vamos fazer outras parcerias, procuramos oferecer soluções complementares com outros fornecedores de soluções e aplicativos em todas as áreas, como entretenimento, música, vídeo. Na outra ponta, temos o TIM Casa Flex, que já nos leva mais para perto do cliente, virão outros produtos similares. Temos também, agora, o os clientes conhecendo a conveniência do fixo com o móvel, e agora estamos lançando o Plano, com recargas a partir de R$ 1,00, que vai nos trazer os jovens e os clientes de baixa renda.  Enfim, a TIM  continua a ser um player importante no mercado atuando de forma independente, concorrendo com ética, com inovação,