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aeiou aposta em novo modelo de negócios

O presidente da operadora, José Roberto Melo, desafia os concorrentes a apresentarem preços mais baixos

No jogo de gigantes da indústria da telefonia móvel, a aeiou chega com o objetivo de ser uma operação de nicho. A mais nova das operadoras móveis do Brasil lançou seus serviços na cidade de São Paulo em setembro e vem mantendo uma postura discreta, em um mercado onde os concorrentes costumam gastar milhões em campanhas de marketing. O presidente da companhia, José Roberto Melo, diz que não vai replicar o modelo das concorrentes, sob o risco de replicar também os custos. E aposta que o assinante sabe fazer conta, a ponto de reconhecer na aeiou a menor tarifa do mercado.

O discurso de Melo vai no caminho inverso do feito presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, que ao lançar operações em São Paulo previu que os paulistanos assumirão uma dinâmica já assimilada na região Nordeste, que é o uso de mais de um chip. “Temos uma proposta de valor clara: você não precisa trocar de chip ou cronometrar chamadas. Para quem quiser a melhor tarifa sempre, a melhor alternativa é a aeiou”, diz Melo, para quem a Oi chega a São Paulo fazendo a mesma coisa das concorrentes, apesar do discurso de que chegou para fazer a diferença. Acompanhe a íntegra da entrevista:

Por Marineide Marques.

Telecom Online - Passado o início das operações, qual o balanço da implantação da companhia?

Melo - Poucas atividades empresariais são tão complexas quanto uma operação móvel. É desafiador. Conseguir espaço para sites é um negócio muito difícil em São Paulo. Uma rede móvel envolve mais de 800 parâmetros a serem configurados. Os sistemas e plataformas de apoio, como pré-pago, billing e tarifação, só do ponto de vista de TI, envolvem mais de 40 sistemas. No nosso caso, a complexidade foi agravada pelo fato de termos que fazer tudo isso na metade do tempo. Fechamos com o nosso investidor em abril e o dinheiro chegou em maio. Lançamos a operação em setembro. O histórico de outras operadoras mostra prazos entre 14 e 18 meses. A outra operadora que está lançando serviços em São Paulo começou os trabalhos de infra-estrutura em janeiro e lançou os serviços no fim de outubro. Pressionados pelo ambiente concorrencial, tivemos que fazer a implantação em menos da metade do tempo, apesar de sermos menores.

Telecom Online - Pressionados pela concorrência ou pelo prazo da Anatel?

Melo - Também. Tínhamos que ter a rede no ar em julho em pelo menos metade da área urbana para cumprir a determinação da Anatel. Mas você não tem um negócio de telefonia móvel cobrindo metade da cidade. A corrida agora é para termos uma cobertura razoável no menor prazo.

Telecom Online - Quais são as metas?

Melo - Trabalhamos com uma freqüência mais baixa, de 900 MHz, e isso nos permite cobrir a região de São Paulo com algo próximo a 250 torres, fora a cobertura indoor, que exige outra equação. Esses sites já foram adquiridos, mas nem todos foram ativados ainda. Fechamos outubro com 200 sites ativos e devemos chegar a 250 em novembro. Hoje temos 80% a 90% da área coberta e algumas áreas de sombra, que devem ser resolvidas em novembro. Mas, a cobertura cresce sempre.

Telecom Online - Esses números consideram apenas a cidade de São Paulo ou toda a região metropolitana?

Melo - Só a cidade. Para toda a Grande São Paulo, a previsão é chegarmos a 400 sites, mas a expansão para toda a área 11 acontecerá ao longo do ano que vem. Para o interior, aguardamos a solução do leilão do SMP por parte da Anatel. Ainda há vários lotes pendentes e o nosso é um deles. A TIM recorreu depois que a Anatel acatou a reclamação da Claro, que alega que o grupo italiano ultrapassou o limite de espectro. A decisão final afetará outras operadoras, inclusive a aeiou, e estamos aguardando. O pedido de reconsideração da TIM ainda não foi julgado pela Anatel.



 
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