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Google se posiciona para a largada da Internet móvel

Entrevista com Leonardo Tristão, diretor de novos negócios do Google.

É indiscutível o vLeonardo Tristãoalor do Google no mercado da Internet, haja visto os resultados da empresa e sua cotação no mercado acionário. No segundo trimestre, a companhia, mundialmente, teve uma receita de US$ 5,3 bilhões e estima que alcance vendas com publicidade na web da ordem de US$ 7,63 bilhões. Presente no Brasil desde 2005, a matriz tem visto com bons olhos o desempenho da subsidiária brasileira. Tanto que escolheu São Paulo para ser a sede corporativa do grupo na América Latina e transferiu o ex-presidente do escritório brasileiro, Alexandre Hohagen, para ficar à frente das operações regionais e nomeou Alex Dias para a presidência no país. Até essa decisão, a América Latina respondia diretamente a Mountain View, na Califórnia.

Mas o melhor para a empresa pode ainda estar por vir. Leonardo Tristão, diretor de novos negócios da subsidiária brasileira, aposta que a Internet móvel irá gerar mais recursos publicitários para o grupo do que a própria web convencional. Isso, porque, na sua análise, haverá um target mais apurado para os anunciantes a partir de várias ferramentas específicas para o mundo móvel, onde a grande estrela é a localização. A primeira etapa da entrada na mobilidade já foi feita, com a transferência para os celulares de diversos produtos, como busca, email, Orkut e Youtube. Agora, é aguardar a chegada no país dos primeiros terminais com a plataforma Android, uma idéia lançada pelo Google que reuniu diversos fabricantes. Há rumores de que o primeiro handset será lançado em 11 de novembro nos Estados Unidos.

Tristão acredita que a partir da maior facilidade de uso para levar a web ao celular muitos terão seus acessos à Internet pela primeira vez no mundo móvel. Ele acredita que ainda há alguns passos a serem dados, como diminuir a barreira de entrada para as massas e apresentar pacotes de dados, de preferência com flate rates, que possam dar ao cliente a visibilidade do que está, realmente, ganhando. A chegada da terceira geração de telefonia móvel ao país só ajuda os planos de empresa que se prepara para também liderar nessa área. Confira a entrevista dele para o Telecom Online.

Por Wanise Ferreira

Telecom OnlineComo está o Google no mercado brasileiro?

Leonardo Tristão – O Google está muito bem no país. Nós começamos as operações no Brasil em meados de 2005, com o primeiro funcionário, e hoje nós temos quase 200 pessoas trabalhando em diversas áreas, como vendas, marketing, produtos. Temos também um centro bastante forte de desenvolvimento de novos produtos e engenharia, em Belo Horizonte, com 60 pessoas. Os usuários brasileiros, em geral, adotaram os produtos do Google.

 

Telecom OnlineMas eles já eram utilizados em grande escala quando a empresa se instalou no Brasil, não?

Tristão – Sem dúvida, o Google já era conhecido no Brasil quando a gente veio para cá. Mas depois do início das operações aqui a empresa promoveu um marketing viral muito maior. Nós trouxemos produtos customizados para o público brasileiro, o que trouxe resultados. Nós conseguimos, por exemplo, melhorar muito o Orkut, em termos de rapidez, lançar outros produtos principalmente para anunciantes, com novos formatos. Antes, por exemplo, a publicidade era baseada apenas em textos, nós evoluímos para imagem, e de imagem para vídeo, e agora novos formatos. Entre as iniciativas, também lançamos a versão nacional do Youtube, fomentando muito mais parcerias no mercado local para que cada vez mais esse conteúdo de qualidade produzido no Brasil estivesse disponível no site. Hoje, temos parcerias, por exemplo, com a Globo, Bandeirantes, Telecine, SporTV, Trama,

 

Telecom OnlineComo funcionam essas parcerias?

Tristão – Cada um dos nossos parceiros usa o YouTube para complementar sua estratégia para o veículo principal. Uns colocam episódios inteiros de jornal, como a Bandeirantes, outros colocam teasers, como o Terra, outros trazem conteúdo. A Globo, por exemplo, criou um resumo semanal de tudo que aconteceu na semana em Malhação e colocou no site.

 

Telecom OnlineE isso refletiu em aumento da visitação do site?

Tristão – Sim, aumentou muito a freqüência no site. O crescimento de receita tem sido bastante interessante, não apenas para os nossos olhos, mas para os olhos da matriz. Hoje o mercado brasileiro é uma das operações que mais cresce no mundo. Mas, infelizmente, nossos dados são consolidados e não podemos divulgar o desempenho por país. Hoje, temos dois mercados muito maduros, Estados Unidos e Europa, e o Japão também, onde é uma mídia muito forte. O Brasil está crescendo muito é se tornou uma importante operação. Atualmente, a mídia online no país representa 2,8% do bolo publicitário e a tendência é de crescimento.

 

Telecom OnlineE como está situada a mobilidade nessa estratégia?

Tristão – Nós temos uma parceria com todas as operadoras móveis no Brasil. Por exemplo, o Orkut SMS está na Tim, na Claro, na Vivo e na Oi. Essa foi uma maneira que encontramos para estender o Orkut para o telefone móvel, foi a nossa primeira ida do orkut para o celular. A segunda foi o lançamento do site móvel para o Orkut. Para esse produto não temos ainda uma estratégia de parcerias, está se dando via browser do celular. A TIM está colocando um ícone no portal WAP. É um produto de apelo, sem dúvida.

 

Telecom OnlineE quais são os resultados dessa investida?

Tristão – Foram resultados bastante significativos. Houve uma boa aceitação das operadoras e o volume é expressivo. Mas, infelizmente, não podemos divulgar esses valores até porque temos acordo de confidencialidade com essas empresas.

 

Telecom Online - E como se compõe essa estratégia para a mobilidade na empresa?

Tristão – A missão da empresa é tentar criar uma experiência de uso do cliente no mundo móvel melhor do que ele tem na web. Primeiro, levamos os produtos disponíveis na web para a mobilidade. Levamos a música, a busca, o email, o Youtube, o Orkut, o Picasa, o Blogger, ou seja, todo produto que nós temos disponível hoje na web nós trouxemos para o mundo móvel. Essa foi a primeira etapa. A grande aposta que temos, agora, no mundo móvel é em cima do Android que é uma plataforma para desenvolvedores, para isso foi feita a Open Alliance, com todos os participantes do ecossistema desse mundo móvel, para tentar dar um pouco mais de flexibilidade para o ambiente celular e desenvolver aplicativos que ainda não vimos na web com algumas ferramentas interessantes das quais a principal é localização. Hoje o telefone celular tem um peso muito grande na vida de cada um de nós, talvez o objeto mais pessoal que temos. Hoje temos o GPS e essa combinação pode possibilitar essa grande aposta do Google em uma experiência inovadora e até melhor que a web convencional.

 

Telecom OnlineO que vai diferenciar do que tem hoje no mercado, como o iPhone, que já traz uma interatividade aceita pelo usuário, como o acesso mais fácil para web.

Tristão – Na verdade, o Google não tem a resposta. Por isso que a maneira como a plataforma foi concebida é para aqueles desenvolvedores que estão lá acharem essa resposta e desenvolverem aplicativos que sejam relevantes para todos os usuários, para a massa, primeiro, e depois para nichos específicos. Então, o grande conceito do Android é um sistema operacional para telefone celular completamente aberto, flexível, sem custo. Eu acho que, na verdade, os aplicativos vão ser vão ser descobertos por  tentativas e erros para ver qual, realmente, vai dar certo. Um pouco essa é a nossa filosofia, tentativa e erro. O usuário está no poder, decide o que vive o que morre. Por exemplo, você se lembra do Google Mars? Era um Google Earth, produto que deu super certo, mapeado para Marte. Não pegou, foi esquecido. O usuário decidiu. Com certeza, dentro do Android vai ter muito isso e acreditamos que teremos mais acertos que erros.

 

Telecom OnlineQual da data que vc está trabalhando para começar a trabalhar com o Android?

Tristão – Ele está em fase de desenvolvimento. A expectativa inicial é ter o primeiro produto até o final do ano, evidentemente que o Google vai lançar  primeiro protótipo com a certeza que vai criar impacto para o usuário. Se forem necessários atrasos de lançamento para garantirmos que realmente seja uma experiência impactante a empresa não hesitará.

 

Telecom OnlineVocê acha que os primeiros aplicativos que podem causar impacto estarão ligados à localização?

Tristão – eu não tenho visibilidade. Mas faz sentido ter localização no primeiro protótipo? Faz. Localização tem muito apelo.

 Telecom OnlineVocê sente que ainda falta muita coisa nos celulares que existem hoje para facilitar essa experiência de web móvel?

Tristão – Bom, vamos ver primeiro porque o iPhone foi tão revolucionário quando chegou. Porque foi o primeiro telefone com navegador web realmente poderoso. Então se a gente tomar como base que para cada iPhone é gerado 10 vezes mais busca no Google do que qualquer outro telefone celular que tenha capacidade de navegar na web, a gente começa a perceber que ele foi disruptivo para a indústria e para o consumidor e de uma maneira que todo mundo está correndo atrás desse tipo de aparelho. A gente subiu a barra e isso é muito bom para o Google, isso ajuda na facilidade de uso para acessar as aplicações na web móvel. A dificuldade que o usuário hoje tem para isso, essa barreira é removida substanciamente com esse novo conceito do iPhone. Olhando um pouco para dentro para nossos conceitos móveis tem três fatores super importantes para que essa dificuldade seja removida. Primeiro, o Google, realmente, acredita que os aplicativos devem ser desenvolvidos para a web, no conceito de computação nas nuvens, isso facilita que eu tenha uma experiência boa tanto na web quanto no celular via game, via TV, e outras ferramentas. O foco é de, realmente, desenvolver aplicativos baseados na web. O segundo ponto é que a experiência do usuário no celular tem de ser simples e rápida, ele quer ter aquela informação que solicitou dessa forma. E o terceiro ponto é a localização, ele quer que ela também seja simples, rápida e relevante. Isso é fundamental para uma resposta que crie uma experiência de uso bastante interessante para o usuário com o aparelho móvel.

 

Telecom OnlineComo está a estrutura da área móvel dentro do Google. Há uma unidade específica?

Tristão – Tem uma unidade específica de móvel que é conduzida diretamente de Londres e tem as ramificações nos países.

 

Telecom OnlineE há uma ramificação no Brasil?

Tristão – Sim, ela está aqui, em Belo Horizonte, na área de engenharia de produtos.

 

Telecom Online – Você tem um esquema de parcerias no Brasil para desenvolvimento nessa área móvel?

Tristão – Na verdade, os desenvolvedores já têm acesso ao kit desenvolvimento do Android e trabalham em cima disso.

 

Telecom OnlineVocê tem dados sobre como está hoje, no Brasil, a Internet móvel?

Tristão – A gente conversa muito com as operadoras que são nossas parceiras para saber como a Internet móvel está se comportando. O que é muito interessante é que com a vinda da terceira geração, o foco das operadoras para aumentar o ARPU (receita média por usuário) de dados é bastante grande e isso vai beneficiar as empresas de Internet que têm aplicativos relevantes, como o Google. Eu acho o Brasil está caminhando para um movimento interessante, mas ainda é preciso dar um passo um pouco maior, que é tentar diminuir a barreira de entrada para a massa usufruir da Internet móvel. Eu acho que há três componentes nesse caso, aparelhos que tenham o full browser, como tem o iPhone, é também muito importante um plano de dados realmente para as massas, de preferência flat rates e isso é um dos fatores de sucesso do iPhone, ele é casado com flat rate, e a facilidade de uso. Acho mais importante o plano de dados para as massas para que eles consigam enxergar o valor que isso tem. Muitos deles vão ter acesso à Internet pela primeira vez pelo celular.

 

Telecom OnlineTem uma discussão que sempre volta nessa questão da Internet móvel que é de quem vai ser o cliente no futuro? Ele vai ser das operadoras, dos provedores Internet? Quem estará no comando?

Tristão – Independente de quem é o cliente, ele vai decidir o que ele quer, e existe um modelo de negócios que a cadeira inteira vá se beneficiar. Nós acreditamos que o cliente tem de ter escolha, um princípio básico dele e da web 2.0. Se ele quiser um produto via portal Wap da operadora, ótimo, se quiser via URL, como acontece na web, também. O que é importante é que a indústria e todas as empresas que participam dessa cadeia de valores tenham um modelo de negócios acertado. Enquanto um cliente está acessando, direta ou indiretamente, a Internet pelo celular ele está se gerando tráfego para a operadora.

 

Telecom OnlineE como você ganha com isso? Você acredita que o modelo de publicidade que existe hoje vai se transportar para o mundo móvel?

Tristão – O Google acredita muito na publicidade no mundo móvel. O mercado publicitário do mundo móvel ultrapassará a longo prazo o mercado publicitário da web. Porque os anúncios irão com target melhor, justamente por conta da localização. O nosso conceito de publicidade é uma reação a uma ação do usuário. Ela não pode ser intrusiva, ela tem de gerar um valor para aquele usuário. O mercado japonês é um exemplo disso, onde nós lançamos publicidade no celular há algum tempo. A taxa de conversão dos anúncios no mundo móvel já é maior do que o mundo web naquele país. As pessoas clicam mais os anúncios. Isso acontece em outros lugares, mas no mercado japonês se evidencia mais. Nós acreditamos que no mundo móvel a gente pode entregar anúncios mais relevantes do que o mundo web. Isso é extremamente importante para os anunciantes que hoje procuram uma publicidade mensurável com o ROI (retorno sobre o investimento) bastante definido. Essa é uma maneira de a gente garantir isso.

 

Telecom OnlineHá bastante otimismo sobre a Internet móvel, não?

Tristão – Ela é muito importante e a gente vai trabalhar muito em parceria com a indústria no Brasil. Em torno de 40% da receita do Google mundialmente vem por meio de parcerias. Nós acreditamos que podemos agregar valor para os parceiros e para os usuários finais.

 

 



 
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