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A Nokia acelera para continuar na liderança

O executivo Almir Narcizo aposta no tripé aparelhos, serviços e parcerias com as operadoras para consolidar sua posição.

O executivo Almir Narcizo, um amante das corridas, vive em ritmo acelerado desde 2006 quando assumiu a área de celulares da Nokia do Brasil. Na bagagem, o comando da fábrica em Manaus que chegou a bater recorde de exportação ao embarcar 1,2 milhão de terminais. Sua tarefa era a de levar a empresa a recuperar a liderança no mercado brasileiro e também devolver à fábrica uma posição destaque na América Latina e dentro da companhia. A empresa fez sua lição de casa e aprendeu as características do consumidor brasileiro, reformulando seu portfolio para atender às características locais. Desde o ano passado, voltou ao primeiro lugar no ranking dos fabricantes, ostenta 32% de market share no mercado interno e a matriz autorizou investimentos de R$ 25,2 milhões para ampliações em Manaus,  que volta com mais força ao cenário das exportações mesmo diante da crescente crise mundial. 

Agora, o momento é de mais atenção ainda, face ao aumento da competição no mercado de Internet móvel, com a chegada de concorrentes como o iPhone, da Apple, e de novos modelos com plataforma aberta Android, resultado de um consórcio liderado pelo Google. Narciso se diz tranqüilo em relação à nova fase e acredita que será vencedora a estratégia da empresa de estender sua atuação para a área de serviços, por meio do portal OVI. A Nokia, mundialmente, avança nessa oferta, que inclui, entre outros serviços, os de localização, música, propaganda no celular, email, mapas. "O último serviço que faltava ser levado para o celular foi o GPS e a Nokia foi a primeira a embarcá-lo no aparelho", comenta o executivo.

Com faturamento mundial de 51 bilhões de euros, a Nokia tem na América Latina 8% da sua receita. Desse total, o Brasil responde por 34%. A fábrica em Manaus foi escolhida como a plataforma de exportação do modelo N 5610, de terceira geração, para toda a região. A empresa também fechou seu primeiro contrato com a China, exportando partes de modelos de celulares que serão montados em Pequim a tempo dos aparelhos estarem disponíveis para o Natal.  Na semana passada, inaugurou em São Paulo a sua primeira flagship store. E no mês passado a matriz anunciou, em Londres, a chegada do 5800 XpressMusic, aparelho com touchscreen que deverá enfrentar o iPhone. "Mas isso é um recurso para nicho de mercado e nós somos a única empresa com produtos em todos os segmentos de consumo", diz Narcizo. Pelo ritmo de transformação que o mercado de telefonia móvel passa, o executivo deverá continuar acelerado por mais tempo. Confira a entrevista.

Por Wanise Ferreira

Telecom Online -  Quais são os desafios específicos que a Nokia tem no mercado brasileiro?

Almir Narcizo -  Em primeiro lugar, o design. Esse é um grande desafio nosso. A Nokia acho que demorou uns quatro anos para entender que os mercados são diferentes. O mercado brasileiro não é o mercado europeu, não é o mercado asiático, não é o mercado americano. A crise que nós tivemos em 2005 foi muito em função disso, nosso portfolio era muito voltado para o mercado europeu. No final de 2005/2006, quando a Nokia fez o primeiro estudo de segmentação de consumidores, e o Brasil já foi pesquisado, entendeu-se uma característica bastante importante: o brasileiro tem uma adoção da tecnologia muito rápida. Isso não ocorre apenas nas classes jovens, mas entre executivos também e outras áreas. A média do consumidor brasileiro se adapta muito rapidamente à nova tecnologia, o que foi uma novidade, porque é diferente de toda América do Sul. Se você pega o consumidor chileno, por exemplo, a pesquisa mostrou que ele tem aversão à tecnologia. São pessoas que querem simplicidade, robustez, qualidade, outros atributos do produto. Diferente do brasileiro e do venezuelano. E como eu disse no início, há uma vontade de ter um produto que exprimisse a sua forma de viver, a sua forma de vestir, a sua forma de trabalhar, diferente dos outros povos também que a Nokia atua. Então, forma, material, acabamento, design, esses são atributos que o brasileiro considera muito. Isso impôs um desafio muito grande e eu acredito que hoje nosso portfolio resgatou essa diferença de mercado que o Brasil tem e que a Europa não tem. Na segunda onda de pesquisa de consumidor que aconteceu o ano passado, o Brasil de novo foi pesquisado e essa característica de tecnologia e design apareceu de novo. E esse ano, com a terceira onda que nós fizemos, houve uma migração de um eixo. Há 77 mil consumidores em 21 países que foram entrevistados, uma hora e meia cada entrevista. Dez milhões de dados foram acumulados durante essa pesquisa. E aí, não só os aspectos de uso e do aparelho celular, mas também os aspectos sócio-culturais foram avaliados, o estilo de vida. O estudo foi feito dessa forma, pra facilitar o entendimento do estudo, os dados foram colocados em dois gráficos, dois eixos. O eixo vertical indicou o envolvimento da tecnologia e o horizontal o aspiracional, onde design é importante, o racional, onde as pessoas usam porque é uma ferramenta de trabalho. Então, o que a Nokia notou é que nesses três anos a pesquisa empurrou os consumidores de um eixo para outro, quer dizer, a adoção à tecnologia está sendo mais rápida em vários segmentos, que são os que mais representam o Brasil. Os Estados Unidos foi uma surpresa para mim na pesquisa, eu imaginava que o consumidor norte-americano gostasse de tecnologia e é o contrário. O telefone celular é visto nos Estados Unidos como uma ferramenta de trabalho. Isso mostrou claramente que o Brasil tem que os outros países não têm e qual é o nosso desafio: conquistar os consumidores que estão localizados naquele cenário da pesquisa, que são consumidores extremamente exigentes. Brasileiro é um povo que quer a tecnologia, que quer o design e ao mesmo tempo quer preço, evidentemente. Preço é uma dimensão importante. 



 
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