O vice-presidente executivo da Samsung, José Roberto Campos, aposta no mercado de reposição de celulares e promete agressividade.
Depois de encerrar 2007 com um faturamento de US$ 2,1 bilhões no Brasil, a Samsung se prepara para um ano de fortes investimentos. Os planos da empresa para o país incluem ampliação da linha de celulares, para dar conta do crescimento do mercado e da chegada da terceira geração 3G, e a abertura de novas linhas de produção, a exemplo dos modens para acesso sem fio. O vice-presidente executivo da Samsung, José Roberto Campos, promete novidades para os próximos meses e destaca que, na área de celulares, a empresa será bem agressiva.
Em 2007, as vendas de terminais da Samsung cresceram 70% e a empresa só não vendeu mais porque atingiu o limite da capacidade de produção. A expansão já está em curso. No ano passado, o montante de investimento alcançou US$ 80 milhões e não há um valor estipulado para este exercício. “Olhamos as oportunidades de negócios e tudo que se justifica pode ser feito”, diz Campos.
Quanto a uma possível briga com a Motorola pelo segundo lugar no mercado local, a exemplo do que ocorreu globalmente, o executivo afirma que está mais preocupado com a lucratividade. “Às vezes, é mais saudável financeiramente ser o segundo ou terceiro”, diz. Acompanhe a íntegra da entrevista.
Por Marineide Marques
Telecom Online - Qual a sua projeção para o mercado brasileiro de celulares este ano?
Campos - No ano passado foram 20 milhões de novas linhas e outros 20 milhões do mercado de troca de aparelhos. A expectativa para este ano é bastante forte. Espero que o mercado de troca cresça mais do que no ano passado. Em São Paulo teremos uma nova operadora, com a chegada da Oi, o que deve estimular o mercado. As novas regras do SMP, com a oferta de celular desbloqueado, e a portabilidade também mudam o mercado. Com isso, acredito que o mercado de aparelhos deva superar os 40 milhões do ano passado. Na troca, o usuário sempre quer um aparelho melhor. Então, em termos de portfólio, eu estou mais competitivo porque eu não tenho o celular baratinho. A partir do momento que o mercado de troca fica mais forte, eu fico mais competitivo. A Samsung fabrica tudo aqui e o dólar também está ajudando. Todo produto com forte presença de itens importados está bastante competitivo.
Telecom Online - Você avalia que o mercado brasileiro caminha para a saturação?
Campos - Vamos chegar ao limite da capacidade econômica da população. O crescimento será mais lento, mas o mercado de troca fica cada vez mais aquecido, porque existe uma base de 122 milhões de usuários hoje. E o prazo de troca é cada vez menor. Para a indústria de aparelhos, o mercado continua bastante forte. A entrada de novos assinantes deve ser menor pelo efeito econômico, mas ainda tem muita fonte de receita a ser explorada com esta base de assinantes, em serviços e aplicativos, e as operadoras estão atentas a isso.
Telecom Online - Globalmente, a Samsung teve um ótimo desempenho em 2007, alcançando o segundo lugar em vendas e desbancando a Motorola. Como foi o desempenho no Brasil?
Campos - No ano passado crescemos 70% em vendas de celulares. A Samsung como um todo vem mantendo um crescimento de dois dígitos nos últimos três anos e o nosso objetivo é manter as taxas crescentes. Eu não posso falar um número, mas continuaremos sendo agressivos este ano. Teremos novos investimentos nas fábricas, tanto para ampliar a produção quanto para trazer novas linhas, que serão anunciadas em breve. Nossa previsão de lançamento para este ano está fantástica, com uma linha de produtos sem igual. Eu só não cresci mais em 2007 porque atingi a minha capacidade de produção.
Telecom Online - Pode se esperar uma briga com a Motorola no mercado brasileiro pelo segundo lugar?
Campos - Estou preocupado em manter o meu nível de crescimento. Ser líder não necessariamente é bom porque o custo pode ser muito alto. Às vezes, é mais saudável financeiramente ser o segundo ou terceiro, porque ser líder vendendo telefone a US$ 20 eu prefiro não ser.
Telecom Online - Quais são os planos para ampliação este ano?
Campos - Atingimos a capacidade conceitualmente, e o mercado deve continuar crescendo este ano. Tenho que necessariamente crescer a fábrica. Já está tudo aprovado e vamos começar isso muito em breve.
Telecom Online - A chegada dos aparelhos 3G está contribuindo para esta necessidade de expansão?
Campos - O primeiro 3G lançado no Brasil, pela Telemig, foi da Samsung. Já temos modelos em linha de produção e os planos são de aumentar o portfólio. Por enquanto, a grande aplicação para a 3G é o acesso à internet pelos notebooks, mas deve chegar aos celulares também. Temos inclusive planos para produzir localmente os modens para acesso em banda larga. Devemos lançar isso em uns dois meses.
Telecom Online - Com tantos planos para 2008, qual será o montante de investimento?
Campos - No ano passado os investimentos chegaram a US$ 80 milhões. Nos últimos anos investimos entre US$ 80 milhões e US$ 100 milhões no Brasil, incluindo produção, pesquisa e desenvolvimento e marketing. Fechamos com faturamento de mais de US$ 2 bilhões, um valor considerável. A Samsung não estabelece um valor de investimento no início do ano. Olhamos as oportunidades de negócios e tudo que se justifica pode ser feito. Assim, posso fazer a metade do investimento do ano passado ou o dobro. Tudo depende do mercado e do que avaliamos necessário para continuar crescendo. A meta da Samsung é ser líder de mercado em todos os segmentos nos quais participa.
Telecom Online - Como está a divisão de linhas de produtos entre as duas fábricas?
Campos - Em Manaus temos uma parte de IT, que compreende HD, discos ópticos e monitores, e a parte de áudio e vídeo. Em São Paulo também temos uma linha de fabricação de monitores e toda a linha de celulares. Temos um centro de pesquisa para cada uma das linhas, um em São Paulo e outro em Manaus. Para TV digital também temos uma parte em São Paulo e outra em Manaus. Lá é a produção, mas aqui estamos mais perto dos grandes centros.
Telecom Online - A Samsung tem planos de produzir o set top box para TV digital?
Campos - Temos dois aparelhos de televisão com o set top box embutido. Ainda não sabemos se vale a pena produzir o equipamento separado porque teremos que analisar nossa capacidade de produção. Pode fazer sentido no futuro, quando tiver escala. Hoje faz sentido para a Samsung ter uma linha de TV com o set top embutido. Hoje temos modelos de 40 e de 52 polegadas e a idéia é ampliar o número de modelos. Isso agrega valor para o consumidor e me deixa mais competitivo.
Telecom Online - A Samsung já trouxe do Amazonas para São Paulo a produção de celulares e parte de monitores por conta dos impasses tributários que existem entre os dois estados. O movimento pode se repetir para outros produtos?
Campos - A questão tributária foi apenas um fator. Eu não tinha espaço físico para crescer lá e tem o aspecto da logística. São vários fatores. Eu precisava de espaço físico para crescer a produção de áudio e vídeo, assim como a de celulares. Então optamos por trazer celular para cá, não só pelos impostos. Não se muda uma fábrica só pelos benefícios fiscais. Tem a questão da mão-de-obra e de logística também. Com isso, eu fiquei em uma posição muito confortável em relação aos impasses fiscais. Estamos nos preparando para crescer nos dois lugares. Ambos têm prós e contras.
Telecom Online - Quais os planos da Samsung para o WiMAX?
Campos - A Samsung é o grande líder mundial em WiMAX e estamos junto com a Sprint no projeto dela nos Estados Unidos. Na Coréia já temos a tecnologia em funcionamento comercial e o serviço é realmente interessante. É uma tecnologia fantástica e abre boas oportunidades para se aumentar a competição. Tenho a tecnologia, falta apenas o leilão das faixas de 3,5 GHz para os negócios decolarem no Brasil. Temos o contrato com a TVA, que está andando. Estamos preparados para ser um grande player neste segmento. Quanto à produção destes equipamentos no Brasil, vai depender do mercado. Ainda é cedo para se afirmar isso, mas olhamos todas as oportunidades.
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