Para o presidente Luiz Eduardo Falco é momento de investir em "círculo virtuoso"em P&D
O projeto de trocas de centrais da rede de sinalização 7IP da Oi, iniciado em 2005, ganhou uma nova fase este ano com a compra de switches da Trópico. Nessa área a operadora desenvolveu uma solução de centralização da inteligência dessa infra-estrutura, junto com o CPqD -- que divide a patente com a própria Oi -- e entregou o banco de dados e a bilhetagem para a Asga Sistemas. Ao todo, o projeto é de R$ 100 milhões dos quais R$ 40 milhões foram aplicados na primeira fase e R$ 50 milhões estão sendo aplicados agora. A presença de empresas nacionais nessa parte da rede foi saudada hoje pelo presidente da operadora, Luiz Eduardo Falco, como uma parceria para aplicações de recursos de P&D no país que gerem um "círculo virtuoso"de desenvolvimento. "As empresas mexicanas investem no México, as espanholas na Espanha e por uma questão estratégica, empresarial, precisamos investir em P&D no Brasil, com empresas brasileiras", disse o executivo. Ele evita considerar que essa estratégia possa representar uma contrapartida da empresa ao governo pelas alterações regulatórias para a compra da Brasil Telecom, nem mesmo relacioná-la à presença do BNDES no capital da companhia.
Em 2005, a Oi realizou uma concorrência internacional para a compra de soluções de sua área de sinalização, dividindo-a em duas partes, uma relativa ã hardware e outra a software. A Tekelec venceu a concorrência pelos cinco maiores lotes de centrais e a Trópico ficou com os nove menores. A Asga Sistema ganhou na área de banco de dados e bilhetagem. Entre as propostas de mudança estava a de atender ao projeto de conversão pulso minuto e, mais recentemente, ao de portabilidade, além de possibilitar a oferta de serviços convergentes na rede.
Com o tempo, a solução da Tekelec foi descartada e a Oi contratou 10 centrais Trópico para sua substituição. " Não foi por uma questão de competência ou não, mas para eles a Oi é um cliente e a para nós é "o"cliente", diz José Ellis Ripper, presidente da Asga. Segundo ele, a primeira fase do projeto já foi emblemática por representar a primeira vez que a tecnologia nacional esteve presente no core de uma operadora.
Falco diz que a criaçào de uma supertele brasileira traz escala para empresas nacionais e possibilita mais investimentos de P&D nesse mercado. Ele ressalta que a operadora investe 0,8% de sua receita em P&D dos quais 0,5% sáo contigenciados pelo Funtell, Mas, observa, podem ser descontingenciados se houver projetos nacionais que garantam seu investimento.
Para Raul Del Fiol, presidente da Trópico, o investimento da Oi em P&D faz parte do tripé centros de pesquisa, operadoras e indústria, um modelo que se repetiu em todas as empresas de telecomunicações do mundo. Hélio Graciosa, presidente da Fundação CPqD, existe a capacitação técnica no país e, atualmente, a Oi já é a maior compradora da tecnologia nacional. A solução desenvolvida para o projeto 7IP, pelas inovações que traz, poderá ser exportada.
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